Bocados de Ar

Porque as palavras não passam de bocados de ar

sábado, dezembro 13, 2003

"Oreos"

"Gonna make you, make you, make you notice
Gonna use my arms,
Gonna use my legs,
Gonna use my style,
Gonna use my side-step-
Gonna use my fingers.
Gonna use my, my, my, imagination.
Cause I going make you see-- there's nobody else here
No one like me"

quarta-feira, dezembro 10, 2003

Dove sono i ladroni?

Dai, para fazer hora, enquanto a chuva nao diminuia um pouco (e porque meu guarda-chuva-psicotico nao funcionava), entrei numa livraria. Traca de livro e assim mesmo: entra em livraria ate de pais cuja lingua nao domina.
Acabei lembrando que meu professor havia recomendado "Il Barone Rampante", do Calvino, e fui procurar. Deixei minha sombrinha-molhada-gelada-quebrada na entrada (aqui todo mundo faz isso, especialmente em livrarias), e, bem, entrei. Fuca que fuca, achei o ultimo exemplar, por 7, 40 euros. Convenhamos que nao e um preco assim tao alto. Alem do mais, e um Calvino. E, admito, nunca li nada do Sr. Italo.
Com o livro comprado, quase saindo da livraria, lembrei do maldito guarda-chuva-rebelde. Quando fui busca-lo, cade? Roubaram o guarda-chuva. A chuva ja tinha acabado, entao pude sair sem me molhar. Mas nao pude evitar de soltar um "Bem feito!", bem alto e em portugues. Quando o ladrao precisar do meu guarda-chuva, em meio a aguas torrenciais, ele nao vai abrir. Hahahaha...

Ver freira, dizem, da azar. E padre?

Dai, eu estou na Italia. Mais precisamente, em Firenze. Mais precisamente, na chuva, correndo para a estacao, para ver se consigo comprar uma passagem para a Espanha. E a quarta vez que eu venho na estacao por conta disso. Esse pais e um inferno, quando se trata de obter informacao. E, para finalizar, com um guarda-chuva que nao para no lugar e que insiste em desabrochar (leia-se virar para cima, ou para o lado errado, bem, voces entenderam, ne?) a cada singelo sopro que o fortissimo vento que reina nesta cidade da. Vento, este, que eu batizei de "Sirocco", ou so "Sir", para os intimos, apesar de ele estar longe, muito longe, de ser um vento quente. Alias, e gelado. Daqueles que vai ate os ossos. Apesar de tudo isso, "Sirocco" era o unico nome de vento que eu conhecia e acabou ficando esse mesmo.
Mas, entao, estou eu nessa chuva, nessa situacao, mau-humor obvio. Visualizou? Entao...
Ai, passa um padre. Uns 20 e poucos anos, bonitinho, bonitinho. Eu ja disse pra voces que a coisa mais comum e ver padre (ou freira) jovem, por estas bandas? Pois e, meus filhos. Comunissimo. Enfim, passa esse padre e eu, logico, penso "como pode ser bonitinho assim e padre?". Quando ja estou quase esquecendo a aparicao, passam, nao um, nem dois, nem tres, mas quatro padres. Quatro. QUATRO. Todos na casa dos 20 e poucos e bonitinhos. Todos meio que correndo na chuva.
"Caralho!", logico, foi a unica coisa que eu consegui dizer.
Dai, chego na estacao. Como se ja nao fosse o suficiente, ainda passam mais dois padres por mim, com as mesmas caracteristicas dos anteriores. A essa altura do campeonato, absolutamente estupefata, em meio a varios "caralho!", eu ja me perguntava o que estava acontecendo nessa cidade.
E ai? E ai nada. Nao aconteceu mais nada. Ainda nao sei porque tantos padres assim.
Mas, teco algumas consideracoes:
- Sou eu que estou obsessiva ou nao e normal ver tanto padre-jovem-gato assim?
- O que Deus esta querendo provar com isso? Que ele existe e homens-jovens-gatos-e-de-bom-coracao tambem existem? Que ele existe e que todos os homens-jovens-gatos-e-de-bom-coracao que existem sao padres? Que eu estou obcecada por padres? Que eu deveria entrar para a vida religiosa?
Enfim, facam suas apostas.
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Em tempo: devo dizer que eles tem, aqui na Italia, um Calendario de padres-gatos. Juro. Saca Calendario Pirelli? Entao, a mesma coisa, mas sao padres. Nao, eles nao estao pelados, eles sao padres, po. Mas tem um bonitinho para cada mes. E logico que eu comprei um. Logico.

terça-feira, dezembro 09, 2003

Hahahahaha

Ta, leiam isso. Dica do Jesus, me chicoteia.


Palavroes
Especialmente dedicado a mami, que odeia tanto quando eu solto um "caralho!"

Eu ja recebi esse email dezenas de vezes. Sempre dou muita risada quando leio, entao, resolvi coloca-lo aqui. Desta vez, veio atribuido a Luis Fernando Verissimo, mas eu nao faco a menor ideia se a autoria e dele mesmo. Ate porque nao me lembro a quem era atribuido das outras vezes que recebi. Enfim, ai vai:

"Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. Sem que isso signifique a "vulgarização" do idioma, mas apenas sua maior aproximação com a gente simples das ruas e dos escritórios, seus sentimentos, suas emoções, seu jeito, sua índole.
"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?
No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não!" e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, absolutamente não!" o substituem.
O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Caetano Veloso.
Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional.
Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porra nenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar nterior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha.
Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba...
Diante de uma notícia irritante qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.
E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no meio do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta:"Chega! Vai tomar no meio do seu cu!". Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor- íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa.
Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez!".
Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. "Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!". O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e foda -se!".

quarta-feira, dezembro 03, 2003

Aos meus queridos comentantes-comentadores-comentaristas

Nao estava conseguindo entrar nos meus comentarios. Sabe Deus porque. Eu, definitivamente, nao sei. Sou o tipo de pessoa que nao sabe programar nem video-cassete, quem dira entender YAACS, Bloggeres, Javas, Scripts e companhia.
Dai, hoje, tambem sem entender o porque, consegui entrar nos meus comentarios. E vi que varias pessoas comentaram, ha tempos, e que eu nao respondi. A todos, me desculpem. Me desculpem, me desculpem. Nao foi pouco caso nao, ta? Foi ignorancia tecnologica mesmo.
Entao, aqui vai:

Claudio,
Garcia Marquez e Fernando Moraes estao entre os melhores de todos os tempos. Escreveram livros que eu chamo "livros da minha vida". Daqueles que eu leio, releio, releio e releio. Mas, nao me leve a serio. Acredite, por vezes (muitas, alias), nem eu me levo a serio. :-)
Volte sempre, mesmo sem bater. Mi casa, su casa.
Quanto ao Ghost, a Whoopi e definitivamente a melhor coisa do filme. Mas, como a mulherzinha que sou, nao posso evitar me debulhar em lagrimas, todas as vezes que o assisto.

Abrao, vamos por partes:
- "Tudo volta a ser como dantes no Quartel de Abrantes...": nao faco a menor ideia de onde isso veio. Nao sei onde fica o Quartel de Abrantes, nem como as coisas eram antes. Mas, minha mae sempre falou isso e, filho de peixe, sabe como e...
- Tirar fotos e so o que eu faco aqui. Sabe japones deslumbrado? O melhor representante desta categoria e esta que vos fala.
- hahahaha, ri muito do "Scubidu". Finalmente, ha uns dias atras, consegui entrar no seu blog de novo. Alivio imediato.
- Mangueira, nao, Mangueira, nao! Respeito a verde-e-rosa mas sou absolutamente Portela!

Rubens,
Esse e um dos meus maiores problemas: como evitar que essas pessoas tentem me convencer de algo sem tenta-las convencer do contrario? Ainda nao descobri...

Marco,
Depois me ensinaram isso. Um amigo morreu de rir do fato de eu nao entender nem mesmo de Word. Enfim, acontece.
;-)

Agora, com tudo respondido, beijos a todos e voltem sempre. Servimos bem para servir sempre.